Por que nos melindramos com facilidade?

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Por que nos melindramos com facilidade?

Quem nunca se sentiu melindrado, que atire a primeira pedra!

O melindre nada mais é que uma disposição para ressentir-se, ofender-se (geralmente por coisas insignificantes), um tipo de suscetibilidade em que nos magoamos facilmente.

Quem nunca viu alguém se sentir afetado, culpando o próximo de ter causado grande desfeita? Isso acontece por causa da presunção. Julgamo-nos melhores do que somos, nos sentimos com o “rei na barriga”, e quase sempre queremos estar acima desse ou daquele. Sim, nos sentimos os melhores, a última bolacha recheada do pacote.

Espírito Herculano Pires, por meio da psicografia de Chico Xavier, disse algo importante sobre este sentimento tão comum:

“O melindre, a susceptibilidade exagerada, o auto-respeito doentio, a autoconsideração orgulhosa, criam conflitos insanáveis por toda parte.”

A expressão “por toda parte” também diz respeito às nossas vidas, seja em casa ou no trabalho, seja com a família ou amigos. É fato: se o melindre fosse um vírus, ele seria de fácil transmissão.

O palestrante espírita paulista, Manolo Quesada, assinala a seguinte verdade sobre o melindre nosso de cada dia:

“O melindre é uma extensão do orgulho manifestada na insatisfação que sentimos ao perceber que alguém não gostou do nosso jeito de ser ou de fazer as coisas.”

Quesada reproduz uma boa analogia ao dizer que, diante de uma afetação pelo melindre, nós nos transformamos em crianças, mas não continuamos com o comportamento de uma. Depois de uma briga, passados cinco minutos, a criança retoma a amizade, mas nós continuamos melindrados.

Bônus: histórias de quem são senhores dos seu destinos

É comum dizer que o melindre costuma se arrastar por anos, corroendo, por meio de dores e ódios, as relações interpessoais. Filhos que não falam com seus pais há décadas por causa do melindre… Irmãos que ignoram irmãos, por conta do orgulho… Isso sem falarmos da mágoa, que caminha azedando amizades e, em alguns casos, estragando a felicidade de uma vida inteira.

Tão comum ao desencarnar chegarmos do lado de lá extremamente melindrados. E quando retornamos à Terra, em nova roupagem, repaginamos o velho livro das mágoas, sob a égide do orgulho…

O símbolo do melindre

melindreInteressante observar que a simbologia do melindre, nas obras psicografadas por Chico Xavier, está representada por um bichinho: a lagarta. No livro Alvorada do Reino, Emmanuel afirma que o “melindre e as susceptibilidades são pragas e vermes roedores, destruindo-te a sementeira.” Outros espíritos que acompanhavam Chico dizem que pessoas irritadiças, padecendo melindres pessoais infindáveis, são arbustos carcomidos por vermes de feio aspecto.

 

Como trabalhar as emoções negativas ligadas ao melindre?

Na maioria das vezes, pessoas melindradas expressam orgulho ferido, insegurança pessoal e baixa autoestima. E a melhor maneira de encararmos um estado de melindre é exercitarmos a autocrítica, fazendo a nós mesmos perguntas simples:

– Por que estou me sentindo assim?

– Estou me sentindo desvalorizado, para baixo… Por quê?

– Este sentimento está interferindo no relacionamento com pessoas ao meu redor?

Em casos mais críticos, excessivos, em que a mágoa, o melindre e o orgulho paralisam as nossas vidas de maneira que não conseguimos nos relacionar com naturalidade (por nos sentirmos ensimesmados em mono ideias, perseguidos ou injustiçados), sugere-se procurar a ajuda de um profissional da área de psicologia. A ajuda espiritual, os passes magnéticos, as palestras e os diálogos fraternos nas casas espíritas podem auxiliar muito, mas sem dispensarmos a ajuda especializada.

A culpa é dos espíritos!

Evitemos transferir os nossos sentimentos de mágoa e melindre aos amigos espirituais, já que temos a tendência nociva de “terceirizar” os nossos conflitos e nos colocarmos como vítimas, alegando que a culpa não é nossa, mas dos espíritos. Será mesmo?

Sabendo, então, que somos extremamente suscetíveis às mínimas coisas, e que isso pode nos conduzir às ofensas de plantão, guardemos bem as seguintes orientações do nobre espírito Humberto de Campos:

“Os melindres pessoais são parasitos destruidores das melhores organizações do espírito. Quando o ‘disse-me-disse’ invade uma instituição, o demônio da intriga se incumbe de toldar a água viva do entendimento e da harmonia, aniquilando todas as sementes divinas do trabalho digno e do aperfeiçoamento espiritual.” (Cartas e Crônicas, Cap. Bichinhos, ditado pelo espírito Irmão X, psicografia de Chico Xavier).

E se você passou por algum caso de melindre na vida, escreva para nós. Conte-nos como fez para lidar com esse sentimento tão comum e singular.

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Comentários

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Comments (3)

  • Marli Reply

    Muito exclarecedor; quem nesta vida já não se sentiu assim

    4 de março de 2016 at 08:14
  • ione aparecida ramos Reply

    Adorei o artigo.,por coincidência estou vivendo uma situação muito pertubadora com minha única filha. Nossa convivência chega a ser insuportável, por conhecer um pouco da doutrina espírita achei que talvez seria,alguma dívida minha com ela no passado.mas creio que por ela ser jovem, e termos que convivermos sozinhas(sem o pai), pode ser o motivo de tantas mágoas e orgulho. Foi muito bom para mim ler este texto
    Obrigada.Ainda tenho dúvidas, mas já tenho uma luz.a seguir

    6 de março de 2016 at 19:50
  • Cláudia Reply

    Muito esclarecedor. Vivo uma situação de melindre, me pergunto o tempo todo o que foi que fiz para que uma pessoa tão presente em minha vida e participativa nos cuidados de meus país idosos e doentes,tenha, do dia para noite, se ausentado e virado as costas chegando a não atender o telefone quando vê que é da residência da minha mãe e madrinha dela. Soube apenas que diz que está magoada mas não diz o porquê, até para que possa ser esclarecido o fato. Já chorei muito e sofro todos os dias tentando achar uma explicação para está ausência tão marcada pela mágoa. Por vezes acho conforto no minha interpretação que pode estar muito equivocada de que trata-se do mais um exemplo de ingratidão. Deus tudo vê e sabe.

    9 de março de 2016 at 02:17

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